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De Repente! - Alice

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Blurb

Alice Durant, uma jovem de dezessete anos cheia de vida e nenhum apreço pela responsabilidade, mora com seu pai Remy, um capitão da tropa de elite francesa.

Tudo é bom, Alice se sente satisfeita, apesar do que deixou para trás no Brasil, ela ainda era pequena demais para sentir.

Mas, tudo muda quando em uma noite ela se vê em frente a uma notícia destruidora, seu pai fora morto em um atentado a boate famosa em Paris.

Agora Alice terá que voltar e enfrentar tudo que buscou guardar em sua mente, por anos a fio e ainda levará consigo algo doloroso...

"As Melhores Histórias de Sua Vida, Acontecerão De Repente"

Este é o meu desejo!

"Este Livro, Contém Temas Sensíveis. Se Cuidem!"

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De Repente I

Eu sei que pode parecer mórbido começar uma história com morte, mas, ela faz parte do grande recomeço que me vi obrigada a tomar, mas, antes de descascar esse abacaxi, roer esse queijo e tecer esse enorme tapete voador da vida quero me apresentar, não como em uma entrevista de emprego ou ficha técnica, apenas mostrar-lhes quem sou e quem tenho tentado todos os dias me tornar.

Ano 2014 - Paris (França)

— Alice, você já bebeu demais!! — Camille grita em meio ao som alto da boate.Rio de sua cara e dou mais um gole, em uma tequila distribuida no bar. Camille tinha a mesma idade que eu e éramos amigas desde pequena, apanhamos juntas em nosso primeiro dia de aula no infantil, fundamental e médio. Ela tinha cabelos curtos estilo Joãozinho e negros como a noite, sua pele era bronzeada,seus olhos pequenos e quando sorria, ficavam ainda menores assemelhando-se aos seus lábios.

— A vida é curta, precisamos beber quantos copos dér!! — Lhe respondo, indo em direção a Joseph, meu namorado se posso dizer assim. Ele ri, me segurando nos braços, quando caio pela cabeça estar zonza.

— Ahh Joseph, leve-me em seus braços aos céus!!

— Finalmente! — Ele exclama, me levando até seu carro e a chata da Camille o impede, sentando-me na calçada. — Pare de ser chata, Camille.

— Sim! Pare de ser chata, Camille!!

— Reproduzo o que Joseph dissera e minha amiga o empurra para longe.

— Eu irei leva-la em casa, não precisamos de sua ajuda, Joseph! — Retruca rispidamente e reviro os olhos, entrando no carro de Joseph, mas, a garota faz o mesmo.

Chegamos em casa e Camille bate na porta, onde papai abre rapidamente, com um olhar irritado e preocupado ao mesmo tempo.

— Sentido, senhor Durant. — Zombo pondo a mão na testa e papai me pega no colo, subindo as escadas até meu quarto.

— Desculpe senhor Durant, tentei falar com a Alice, mas, sabe que ela não escuta ninguém quando está festejando.

— Não se preocupe, Camille. Conheço muito bem minha filha, pode ir para casa, sua mãe deve estar preocupada. — Remy, meu pai, fala tirando minhas botas de cano curto e cobrindo-me.

— An...minha mãe não liga muito para onde eu esteja, o senhor irá trabalhar hoje? Posso cuidar da Alice.

— Na verdade estou de folga, irei apenas amanhã. Terá um show na "Danse" , aquela boate famosa daqui.

— Será que dá para vocês ficarem quietos? Meus miolos estão estourando!

— Resmungo e os dois sorriem. Camille se despede, descendo as escadas, enquanto papai me olha com os braços cruzados.

— O que quer? Vai começar o discurso de como sou igual a mamãe? — Indago irritada e o mesmo apenas respira fundo, descendo as escadas.

— Espero que arrume logo um emprego, não vou ficar lhe sustentando para sempre, já tem dezessete anos!! — Ouço o mesmo exclamar, no primeiro andar.

{...}

Abro meus olhos, eles estão ardendo e a luz do sol em uma manhã na França, decide que queimaria meus glóbulos oculares. Sigo vagarosamente ao banheiro, tomando um banho, visto a roupa mais velha que tenho no armário, mas, digo logo, tem grande valor sentimental. Prendo meus cabelos cumprido e tingidos de vermelho, visto a havaianas e desço as escadas, buscando na geladeira água e uma faca para arrancar a dor de minha cabeça.

— Comprei alguns analgésicos, vê se toma.

— Papai passa pela porta, pondo os remédios sobre a mesa e respiro fundo, jogando dois comprimidos dentro da boca, bebericando a água na garrafa. — Ligue para o seu irmão, teme que eu destrua sua relação com a "família".

— O senhor só sabe mandar? — Pergunto e o mesmo concorda, bagunçando meus cabelos. — Pai, o senhor estava falando sério sobre eu ter que arrumar um emprego?

— Não, eu sei que nasceu para ser sustentada. — Zomba e sorrio, me aproximando do mesmo que procurava o açúcar para fazer café.

— Está aqui, tome. — Encontro sobre o armário, bem perto de onde procurava.

— Me diga o que faria sem mim?

— Viajaria e namoraria umas francesas?

— Ironiza e lhe mostro a língua, me pondo em seu lugar para preparar o café.

— Por que, está fazendo isso? Diga logo o que quer.

— Por que sempre acha que quero algo? Me empresta um dinheiro para comprar tinta pro cabelo? — Indago rindo e Remy revira os olhos, sentando-se no sofá em nossa frente.

— Não pintou seus cabelos este dia? Por que esse negócio de sempre querer mudar a cor do cabelo? Sabe que isto é "Transtorno de Personalidade", né?

— Ahh poxa vida, qual o problema de querer ser alguém diferente todos os dias? Pai, por favor...quer que eu cresça uma adulta problemática?

— Não sei onde pode piorar mais. Aqui está, mas, vê se pinta de uma cor normal. Lembra que você era loira quando pequena?

— Não me lembro. Na verdade, não lembro de nada que pareça com a senhora Estela.

— Murmuro, subindo as escadas, após pegar o dinheiro de sua mão.

— E meu café?!! — Grita e sorrio, deitando em minha cama, pegando o celular para ligar pro meu irmão.

— Bonjour, irmã!  — Daniel grita, como se fosse fluente em francês.

— Olá, Daniel. Por que pediu para que eu lhe ligasse? — Indago irritada, não por odiar meu irmão, mas, por temer ouvir Estela.

— Nossa, desculpe ser um peso para sua vida. — Choraminga e sorrio, desejando abraça-lo.

— Estava com saudades, desculpa minha demora em ligar. Sabe que, não quero correr o risco de...

— Tudo bem, não estou em casa. Na verdade, tenho uma novidade para você.  

— Fala animado.

— An...perdeu o BV, finalmente? Ahh desculpe, você é crente.  — Ridicularizo e Daniel sorri, levemente.

— Estou namorando,ela é linda, jujuba. Na verdade vocês se parecem um pouco.

— Sério? Ela bebe até cair e tem um gosto incrível para escolher o responsável certo?

— Para com isso, vai passar a vida inteira me culpando por ter escolhido a mamãe? Você sabe que ela precisa de nós.

— Ela precisa tomar vergonha na cara. Não esqueça de contar a nova namorada, que sua mãe é uma alcoolotra. — Desligo o telefone, pondo meu rosto sobre o travesseiro.

Ahhhh que ódio!!! — Grito e papai passa pela porta.  — Está tudo bem.  — Respondo.

— Alice, precisa perdoar sua mãe. Vai passar a vida inteira guardando tanta raiva assim? Do que irá lhe adiantar?

— A raiva costuma me dar força, então agradeço seu conselho, mas, irei declina-lo.

— Falo e o mesmo suspira, sentando-se ao meu lado.

— Quer jantar comigo, hoje? Não vou ao trabalho e podemos aproveitar para conversarmos, me contar sobre a escola.

— Prefiro levar um tapa. Desculpa, mas, não estou afim de acabar a noite com o senhor chorando, porque não esquece a "doce Estela" — Zombo e o mesmo força um sorriso, levantando-se e caminhando para fora.

Se eu pudesse voltar no tempo e reviver este momento, teria pedido ao papai que me levasse para jantar, onde conversariamos e ririamos a noite toda, de como nossa vida é trágica, mas, que apesar de tudo isto estávamos juntos e nos amávamos.

— Estou indo para o trabalho, haverá um show...vai ter uma banda barulhenta e terei que protege-los.

— Eu sinto muito por eles. Ei, deixa eu ir com o senhor. — Peço, indo até meu armário, procurar algo para usar.

— Não dá jujuba, estou indo trabalhar. Se tiver que me preocupar contigo, vou acabar falhando no meu trabalho.

— Viu? O senhor não me deixa fazer nada! Por isso, saio e bebo longe daqui!

— Filha, estou fazendo isso por me preocupar contigo. Estes lugares não são para jovens, com certeza terá drogas e bebidas, fique em casa e me espere.

— Você é insuportável, deve ser por isso que a mamãe lhe trocou pela cerveja!! — Grito e o mesmo levanta a mão, parando em seguida, sentando-se em minha cama, começando a chorar. Meu pai era Capitão de Elite da tropa francesa, nunca havia lhe visto chorar em todos os meus anos de vida.

— Pai, eu... — Tento lhe tocar, mas, o mesmo se afasta, descendo as escadas com seu uniforme e boina, indo em direção ao destino cruel que lhe aguardava.

Era três horas da manhã, quando o telefone fixo tocou, desci as escadas ainda sonolenta e o atendi, ouvindo a voz de uma mulher que dizia de forma doce e carinhosa.

— Desculpe ligar essa hora, você é a senhorita Alice Durant?

— Sim, sou eu. — Digo bocejando. Ela fica em silêncio por alguns segundos, respira fundo e diz:

— Houve um atentado na "Boate Danse", aonde seu pai estava trabalhando, ele acabou falecendo ao proteger todos os presentes no local.

Lembro-me que o telefone caiu de minha mão, lágrimas começaram a descer de forma desesperada, como se lutassem para fugir dali o quanto antes. Sento-me no chão, escorando no sofá da sala de estar, sentindo meu corpo se amolecer e aquilo que dizem ser o "Remorso" invadir-me de tal forma, que desejo ser eu á estar morta.

Desço as curtas escadas frontais de minha casa, correndo em direção ao apartamento de Joseph que ficava logo ao lado, assim como de Camille. Eu estava triste, precisava de alguém que pudesse me consolar e confiava em meu namorado, para fazer isto.

— Joseph, Joseph!!! — Bato na porta várias vezes e o mesmo abre, olhando para mim com indagação em sua face.

— Alice, o que faz aqui essas horas? — Ele pergunta e me deixo cair em seus braços, chorando com desespero.

— O meu pai, ele morreu no atentado Joseph.

— Explico. Meu namorado me pega nos braços, pondo-me em seu sofá cama, sentando-se ao meu lado.

— Como assim? Seu pai morreu, ele não estava na boate ou sei lá o que?

— Sim, alguns terroristas entraram lá e mataram todos os policiais...eu...não consigo falar sobre isso. — Respiro, tentando conter minhas lágrimas. Havia tanta dor em mim e indignação em pensar, que o ser humano tinha chego ao ponto de matar pessoas, por causa de uma religião. Como algo que deveria trazer paz, estava causando mortes?

— Tá, calma. Vou pegar algo para beber. Quem sabe, relaxa um pouco. — Diz e concordo, apenas por querer esquecer o que sentia. — Toma, roubei do bar de meu pai.

— Comenta, me entregando uma garrafa de algo forte, que desconhecia. Bebemos e conversamos sobre coisas aleatórias, minha cabeça estava zonza e sentia que precisava ir embora.

— Acho que está na minha hora. — Tento me levantar, caindo novamente sobre o sofá e Joseph ri, ficando sobre mim.

— Fica aqui, podemos nos divertir. Prometo que irá esquecer seu papaizinho.

— Sussurra, passando as mãos em meus cabelos e descendo por meu corpo.

— Eu...eu não quero esquece-lo, me deixe ir embora, por favor. — Murmuro, buscando forças para sair dali, mas, minha cabeça girava e meu corpo parecia não ter ossos.

— O que tinha nessa bebida? — Indago com a voz embargada e Joseph ri alto, chegando cada vez mais perto de mim.

— Eu disse que seria minha, Alice Durant. Finalmente chegou este momento.

— Beija meus lábios ferozmente, despindo-me da mesma forma. Lágrimas descem por meus olhos e uma lembrança surge em minha mente, quando papai me comprou tintas para fazer desenhos e pintei todo meu cabelo com guache, amarelo, azul e vermelho. Ele ficou bravo, mas, depois começou a rir e deixou que pintasse seus cabelos também, fizemos um desfile em nossa sala de estar e mandamos fotos para Daniel, que ficou morrendo de ciúmes.

— Agora, sai daqui. — Ouço a voz de Joseph, desfazendo como fumaça minhas doces memórias, de uma Alice que havia sido expulsa do país das maravilhas.

— O que fez,comigo?! — Grito chorando, sentindo todo meu corpo doer e o mesmo me empurra para fora, jogando minhas roupas sobre mim, caminho descalça até a casa ao lado, onde Camille abre, antes que eu bata.

— Ali, o que aconteceu? — Indaga começando a chorar, levando-me para dentro e sento-me no chão, sendo acompanhada pela mesma.

— Camille, quem está aí? — Ouço ao longe a voz da mãe de Camille, que era enfermeira.

— Não, ela não pode me ver aqui...eu...eu não posso ir para o hospital agora, Camille.

— Tento me levantar, buscando fugir dali e a jovem ajuda-me.

— Não é nada, mamãe. Vou ver como a Alice está! — Grita e a mulher não responde mais nada. Camille me carrega até minha casa, abrindo a porta e ajudando-me a subir as escadas, até meu quarto.

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