15
Elara.
A sala de jantar da propriedade Thorne é um túmulo de mármore frio e cadeiras de veludo com encosto alto. Um lustre de cristal pende do teto como uma explosão congelada, lançando uma luz nítida e irregular sobre os talheres de prata e sobre nós três.
Silas senta-se à cabeceira da mesa, o rei incontestável deste império vazio. Julian está à sua direita, parecendo um fantasma num fato de grife que já não lhe serve. E eu estou sentada mesmo em frente a Julian, o peso das pérolas dos Mares do Sul contra a minha clavícula, uma lembrança constante e pesada do homem no outro extremo da mesa.
Obedecendo à sua ordem, não estou usando nada por baixo do vestido envelope de seda cor ameixa. O ar no quarto está gélido, e a cada movimento meu, o tecido roça minha pele nua com uma fricção que me faz prender a respiração.
“Então, Julian”, diz Silas, com a voz grave e suave que se sobressai ao tilintar dos talheres. Ele está cortando um bife malpassado, o suco vermelho se acumulando na porcelana branca. “Conte para Elara sobre seus ‘investimentos’ em Las Vegas. Tenho certeza de que ela está louca para saber onde foi parar o dinheiro da entrada da sua casa.”
O rosto de Julian fica vermelho, com manchas de raiva. Ele não tocou no vinho. Está me encarando desde que nos sentamos, seus olhos alternando entre meu rosto e as marcas escuras e inconfundíveis no meu pescoço, que as pérolas não conseguem esconder completamente.
“Foi uma fase r**m, pai. Todo mundo passa por isso”, murmura Julian, com a voz embargada. Ele me olha, com os olhos suplicantes. “Elara, eu não queria que as coisas chegassem a esse ponto. Eu ia recuperar o que tinha. Eu ia voltar para casa e te surpreender com as chaves.”
“Você a surpreendeu, sim”, interrompe Silas, sem desviar o olhar do prato. “Você a surpreendeu ao deixá-la enfrentar seus credores sozinha. Felizmente, eu estava aqui para quitar suas dívidas.”
“Tenho certeza que sim”, dispara Julian, com um súbito lampejo de coragem nos olhos. Ele se inclina para a frente, sua sombra se estendendo sobre a mesa em minha direção. “É por isso que você ainda está aqui, Elara? Porque ele está te subornando? Porque ele está te mantendo nesta casa como se você fosse um de seus troféus?”
Eu não respondo. Não consigo. Porque naquele exato momento, sinto um peso quente e pesado pousar no meu joelho.
Por baixo da mesa, Silas tirou o sapato. Seu pé, coberto por uma meia de seda, desliza pela parte interna da minha coxa. Eu congelo, com o garfo a meio caminho da boca. A seda da meia dele é uma fricção seca e estática contra a minha pele nua, movendo-se com uma precisão rítmica e aterradora.
“Elara está aqui porque reconhece o valor de um parceiro estável”, diz Silas calmamente, movendo o pé para cima e roçando os dedos no cadarço úmido da minha entrada.
Soltei um suspiro agudo e abafado, meus dedos agarrando a borda da mesa de mogno com tanta força que a madeira cortava minhas palmas.
“Você está bem, Elara?” pergunta Julian, franzindo a testa. “Você parece... corada.”
“É só... o vinho”, digo com a voz rouca, como se viesse de outro cômodo.
Por baixo da mesa, Silas não para. Ele encontrou o centro do meu calor, os dedos dos pés pressionando firmemente contra mim através da fina seda da meia. Ele esfrega em círculos lentos e agonizantes, o olhar fixo em Julian com uma expressão entediada e distante. Ele está me destruindo bem na frente do filho, e a pura arrogância territorial disso me deixa tonta.
“O vinho está excelente”, concorda Silas, dando um gole lento em seu Cabernet. Ele move o pé novamente, deslizando um dos dedos profundamente na umidade entre minhas pernas. Preciso morder o lábio para não gritar, arqueando as costas contra a cadeira de veludo. “Julian, talvez você devesse verificar sua bagagem. Acho que a camareira a colocou na ala norte. A ala mais distante da minha.”
“Ainda não terminei de falar com ela”, diz Julian, elevando a voz. Ele está alheio à guerra que acontece a poucos centímetros abaixo da mesa. “Elara, olhe para mim. Diga que você ainda não me ama. Diga que você não está fazendo isso só para se vingar.”
Eu o encaro. Vejo o garoto que partiu meu coração, o garoto que não conseguiu lidar com o peso de uma mulher de verdade. E então sinto o pé de Silas pressionar com mais força, um lembrete agudo e incômoda do homem que agora ocupa cada centímetro do meu interior.
“Eu não te amo, Julian”, digo, as palavras saindo num suspiro entrecortado. “Eu acho... acho que nunca amei. Eu simplesmente não sabia o que era ser um homem de verdade.”
Julian se encolhe como se eu tivesse lhe dado um tapa. O silêncio na sala torna-se opressivo, o único som é o tique-taque constante do relógio de parede no hall de entrada.
“Saia daqui”, diz Silas. Não é um grito. É um rosnado baixo e animalesco que me arrepia. “Vá para o seu quarto, Julian. Agora.”
Julian se levanta tão rápido que a cadeira tomba para trás, o veludo pesado batendo no chão de mármore com um baque surdo. Ele olha para mim — olha mesmo para mim — e eu vejo o momento em que ele finalmente entende tudo. Ele olha para as marcas no meu pescoço, olha para o jeito como estou segurando a mesa e olha para o rosto calmo e predatório do pai dele.
Ele não diz uma palavra. Vira-se e sai correndo do quarto, seus passos ecoando pelo corredor até a porta da frente bater com força.
Assim que ele sai, Silas não move o pé. Ele pressiona com mais força, seus olhos escurecendo até se tornarem duas poças de tinta preta.
“Ele se foi”, sussurro, meu corpo vibrando com uma necessidade tão aguda que parece uma ferida física. “Silas, por favor...”
“Ele está na entrada da garagem”, rosna Silas. Ele se levanta, a mesa tremendo enquanto ele empurra a cadeira para trás. Ele não vai em direção à porta. Ele contorna a mesa, seus movimentos fluidos e predatórios, e agarra o encosto da minha cadeira.
Ele me levanta, me prendendo contra o tampo de mogno da mesa. Ele não tira o paletó. Nem sequer afrouxa a gravata. Simplesmente abre o vestido de seda, expondo-me ao ar frio e à luz forte do lustre.
Ele já abriu o zíper, o p*u saltando para fora — grosso, rígido e pulsando com uma vida própria frenética. Ele agarra meus quadris, os dedos cravando na carne macia, e não usa nenhuma preliminar. Ele sabe que já estou molhada, a umidade do pé dele e meu próprio desejo escorrendo pelo mogno.
Ele me penetra pela frente num mergulho profundo e visceral.
Eu solto um uivo, minha cabeça batendo na mesa, o som ecoando nas paredes de mármore. Ele está tão fundo que consigo senti-lo atingindo meu colo do útero, um impacto agudo e firme que embaça minha visão. Ele inicia um ritmo forte e implacável, seus quadris se chocando contra os meus com um baque pesado e rítmico.
“Ele te ouviu?” Silas ofega, sua mão encontrando meu cabelo e puxando minha cabeça para trás para que eu o encare. “Ele ouviu o quão alto você estava falando para mim enquanto ele estava sentado bem ali?”
“Sim”, soluço, minhas unhas arranhando o tecido da camisa dele. “Ele ouviu. Ele sabe.”
A fricção é intensa. Como estamos em cima da mesa, o ângulo é mais agudo, mais profundo. Ele está percorrendo cada centímetro do meu interior, seu pênis atingindo pontos que fazem meu corpo inteiro enrijecer de prazer. Cada vez que ele chega ao fundo, consigo ouvir os talheres de prata tilintando contra os pratos de porcelana.
“Agora você é uma Thorne, Elara”, rosna Silas, seu passo tornando-se animalesco. “E nesta casa, não escondemos o que queremos.”
Ele começa a me atacar agora, num ritmo mais rápido e desesperado. Ele não está buscando uma libertação rápida; está tentando apagar todas as lembranças do filho. Está reivindicando o espaço, a casa e a mulher que Julian foi fraco demais para manter.
O clímax me atinge como uma onda gigante. É um espasmo violento e rítmico que começa no meu âmago e se irradia para fora até que eu esteja tremendo da cabeça aos pés. Estou uivando para o quarto vazio, minhas unhas desenhando finas linhas vermelhas em sua camisa branca, minhas paredes se fechando sobre ele em um aperto desesperado e pulsante.
Silas não diminui o ritmo. Ele mantém o ritmo, suas estocadas mais curtas e rápidas, sua respiração uma série de grunhidos guturais e irregulares. Ele agarra minha cintura, puxando-me para trás com uma força que faz meus joelhos cederem, e então solta um rugido baixo e animalesco. Ele me prende à mesa, seu corpo tremendo enquanto ejacula fundo dentro de mim, sua testa encostada na minha enquanto finalmente chega ao clímax.
Ficamos assim por alguns minutos, o único som sendo o ronco distante do carro de Julian se afastando e nossa própria respiração ofegante e ecoante.
Ele finalmente se retira, o som úmido do movimento é definitivo. Ele não olha para mim enquanto ajusta o terno, seus dedos se movendo com aquela mesma precisão assustadora e disciplinada.
“Limpe-se, Elara”, diz ele, com a voz fria e firme novamente. “Temos uma reunião do conselho na prefeitura amanhã. Espero que esteja pronta às oito.”
Eu o encaro, meu coração ainda acelerado, meu corpo ainda vibrando com o segredo que acabamos de espalhar pela mesa de jantar.
“E Silas?”
Ele olha para trás, com os olhos escuros e indecifráveis.
“Não vou voltar para o quarto azul esta noite.”
Ele dá um sorriso malicioso. “Eu sei. Você vai vir para a minha casa.”